
Sé de comprar o ingresso para o Planeta Terra desse ano já estava satisfeito, afinal de contas, não é todo dia que se tem a oportunidade de assistir a shows do Primal Scream, Sonic Youth, Iggy Pop & The Stooges, muito menos das três bandas em sequencia, tudo na mesma noite. Se apenas um desses tocasse, já seria ótimo, mas os três numa tacada só é covardia!!!... Só dá pra falar que foi mesmo do caralho!!! Ainda mais contando com todas as surpresas que tive.
Comecemos do começo.
Cheguei ao Playcenter aproximadamente às 18:15. Após encontrar um amigo, que veio do interior com uma galera em peso, pude dar uma curtida no final do show do Móveis Coloniais de Acaju, que fizeram uma versão muito legal de "Glory Box" do Portishead. Logo em seguida, os caras dos metais desceram do palco e invadiram a pista, e acompanhados do vocalista abriram uma roda no meio do público, onde tocaram mais algumas sequências legais, animando a pouca (mas nem tanto) galera que se encontrava ali.
Antes de começar o show do Maximo Park!, marcado para as 19h, ainda deu tempo de tomar uma cerveja (o preço era 5 reais, mas era Heineken, então, tava valendo!!!) e curtir uma descida no Turbo Drop, a torre do playcenter. Lá de cima dava para ver que a casa começava a encher.
O Show do Maximo Park! foi bem meia-boca... nem conhecia os caras, mas achei o rockzinho deles bem mais ou menos. Legal, mas nada além disso.
No telão, um programa especial montado pelo Terra TV, que estava sendo gravado em um estúdio montado no Playcenter resgatava uma galera das antigas da MTV. Vjs como Gastão Moreira, Sabrina Parlatori, Edgard Piccoli, Fábio Massari... e convidados como Kid Vinil. Um monte de gente que acha que entende o suficiente pra ficar dando palpite na cena musical atual. E alguns convidados causaram um tremendo freessom na galera que aguardava os shows na pista. Foi o caso do Fresno!!! Imaginem só a reação da galera ao ver a bandinha emo sentada ao lado da Sabrina falando um monte de abobrinha sobre as bandas que estavam tocando no festival. Realmente tuuuuudo a ver!!!... Depois da vergonha alheia que causou um certo transtorno no meu amigo Feipains, que também já tava meio transtornado desde a noite mal-dormida, calibrado pelas cerverjas do bar, foi a vez do dinossauro charmoso, Paulo Ricardo, dar a sua entrevista. Outra sessão de "Meu Deus, parem com isso"... mas nada que incomode a galera tanto quanto Fresno!!!
Bom... mas tudo foi para o ar quando os escoceses do Primal Scream subiram ao palco para demonstrar sua performance rock n roll eletrônica!!!
Dessa vez, com um guitarrista a menos, mas com o baixista "Mani", o cara mais boa-praça do festival (ainda há história com ele mais pra baixo).
Eu esperava muito pelo show do Primal Scream. No começo, achei que o som tava um pouco baixo, mas logo deu pra sentir o peso da guittarra quando eles começaram a tocar "Jailbird".
Um problema no som, que eu ainda não saquei qual foi, fez com que a banda parasse duas vezes durante uma música, até desencanarem de tocá-la e passar para a próxima do set-list.
Tava indo muito bom. Uma sequência legal com "Movin' on Up", "Swaltika Eyes", "Rocks", fazia todo mundo levantar as mãos e cantar juntinhos. Mas, de repente, sem mais nem menos, o show acabou!!!... Não chegou nem a somar uma hora de show, e confesso que fiquei bem revoltado quando vi os caras sumirem do palco e não voltarem mais. Gritei por bis, mas acho que eles não escutaram.

Bom, a revolta amenizou um pouco, quando num momento mais que inusitado alguém comentou "Olha, o guitarrista e o baixista do Primal Scream tão na pista, de boas". (!!!!!!!!) Eu olho para minha direita, e não é que os caras, e não só guitarrista e baixista, bem como o resto da banda toda, estavam lá, bem do nosso lado. Olhei para o meu comparsa e a frase "Vamo lá agora", praticamente saltou dos nossos olhos e em menos de um minuto a gente já rondava o grupo. Tentei fazer de tudo pra me aproximar de Bobby Gillespie, o vocalista, e tirar uma fotinho com ele, mas ele tava conversando com um pessoal, e andava que nem uma barata tonta com uma cerveja na mão, de um lado para o outro. Desencanei, e segui meu amigo que foi em direção ao cara mais simpático que podia aparecer na nossa frente, Gary "Mani" Mounfield, ex-baixista do Stone Roses, atual do Primal Scream. Meu amigo já chegou trocando uma idéia e puxando um pouco o saco do cara, que respondeu na maior simpatia do mundo. A conversa foi bem rápida, mas os 3, 4, 5 minutos de atenção que ele deu pra gente já valeu a noite. Falou abertamente sobre o Stone Roses, no qual Felipains, meu amigo bitolado, tentava tramar uma volta com "Mani".
PARENTESES: Felipains, vc é muito bitolado mesmo, cara!!! Você sabia até que o apelido do cara é "Mani", porque o nome dele tem um EMANUEL no meio, e que esse nome o pai do baixista tirou como homenagem ao Mané Garrincha!!! Nosso anjo das pernas tortas. E ninguém fica sabendo dessas coisas, nem passava pela minha cabeça, mas você sabia.
Bom, e "Mani" até deve ter ficado surpreso quando meu amigo bitolado perguntou justamente da origem do nome. Aposto que ele deve ter pensado "Nossa, como é que esse cara sabe disso!!!" e logo em seguida afirmou que seu pai queria que ele fosse jogador de futebol, mas isso não de muito certo (uhuuuul....\o/).
O final da conversa entre os dois foi sensacional e vale a pena deixar transcrito aqui (não em exatas palavras). Leia abaixo:
Felipains: - Mani, do you think that there's any chanche of Stones Roses reunite someday? (Mani, você acha que o Stone Roses ainda tem chance de voltar a ativa, um dia?)
Mani: - I would like. I wanted it, but Ian Brow, he doesn't want to, and John isn't playing anymore.
(Eu gostaria que isso acontecesse. Eu queria, mas Ian Brow (o ex-vocalista) não quer. E o John (guitarrista) não toca mais)
Felipains: - John is paitting, right?
(Ele está pintando, né? ---> Olha a bitola do Felipains, sabendo que o cara deixara de ser guitarrista para se tornar artista plástico)
Mani: - Yeah, he just paint now.
(Sim, ele só pinta agora)
Felipains: - He doesn't play anything at all?
(Ele não toca mais nada?)
Mani: - He plays for his little daughter, only. He is married, with childre, kindo of settle down.
(Ele só toca pra filhinha dele. Ele está casado, com filha, meio que assentou.)
Felipains: - He is a serious man, now...
(Ele é um homem sério, agora..)
Mani: - He is a PUTA!!!
(Ele é uma hore!!!)
RISOS GERAIS!!!
E logo após a nossa conversa, com direito a fotinho, com o muito simpático Mani, voltamos aos nossos lugares, e não demorou muito para que esse fosse invadido por Thurston Moore, que trouxe logo em seguida, mais cinco comparsas, os quatro Sonics usuais, mais o baixista do Pavement, que tocou com eles. Kim Gordon, hora tocava guitarra, hora tocava baixo. Imaginem só um show com música com três guitarras ou dois baixos. Era só peso!!!
E é muito legal assistir os caras, todos na faixa dos 50, agitando e tocando como se fossem os adolescentes dos anos 80 que revolucionaram a música do momento, com suas guitarras desordenadas, seus timbres sombrios e experimentais, e uma confusão que dá gosto de ver quando eles sobem ao palco.
E o show deles é bem o que eles querem!!! Nada de muitos hits antigos, preferem tocar algumas coisas mais atuais, com um peso extraordinário, sem sair das características da banda, cheia de viagens de guitarras e quebradeiras gerais. Muito barulho!!!
Uma chuva carregada caia sobre o palco, sobre o público, refrescando a todos. Chuva com show, taí uma combinação perfeita.
Logo após o Sonic Youth tocar sua uma hora e meia de palco, restou só mais uma cerveja e uma ida ao banheiro, antes que o Iggy começasse.
E ele também nem esperou apresentações ou coisa do tipo. Foi logo invadindo o palco ainda escuro, e nem 10 segundos mais tarde, a guitarra já soava estrondosa, dando abertura ao show do cara.
Na companhia de seus comparsas do Stooges, ele fez o melhor show da noite!!!...e não poderia ter sido melhor!!!.... Uma hora e quinze de show do velho passaram rápido demais, de tanto que ele agita!!!...
Logo na quarta música, a cena mais insana que já vi criou vida em cima do palco de Iggy. Tudo começou quando ele soltou no microfone: "Tá legal, quem quer subir aqui no palco?! Pode vir, venham, só algumas pessoas"...["Just a few guys"]..guardei as palavras.
Um cara subiu.
E não demorou muito, um segundo subiu, e um terceiro, um quarto.
Quando vi, devia ter umas 10 pessoas no palco. Foi aí que o bagulho debandou. Numa onda frenética movida pelo punk de "Shake Appeal", a galera insandecida saltava as grades e subia em peso no palco. E de repente, me vi brincando de "Onde está o Wally", procurando Iggy Pop no meio daquela multidão!!! E não parava de subir gente. O palco estava completamente tomado.
Confesso que foi uma das coisas mais loucas que já vi na vida, e que fico feliz de pensar que estava lá pra ver isso acontecer.
Vale a pena conferir
http://terratv.terra.com.br/Diversao/Musica/Planeta-Terra/Planeta-Terra-2009/Sonora-Main-Stage/4684-254274/Shake-Appeal-por-Iggy-e-The-Stooges.htm
Onde está o Iggy Pop?!?!?
Após o show que deixou todo mundo presente 100 vezes mais felizes (todo mundo chegou em casa e colocou a cabeça no travesseiro bem satisfeito, disso tenho certeza), não sobrou muita gente pra conferir o resto da noite. Eu mesmo, só dei mais uma volta, após me despedir das pessoas que me acompanhavam. Fui atrás do que estava rolando no outro palco, perto do Looping Star.
Era o som do N.A.S.A. que pulsava. No palco, dois caras, um vestido de extraterrestre do filme "Marte Ataca", outro com uma roupa de peixe (foto lá em cima), de algum lugar que já vi, mas não lembro aonde, dançavam um break e faziam da apresentação cada minuto mais divertida. Uma última cerveja e me dirigi à saída. Feliz e satisfeito!!!
Uma bela noite, com cenas que não esperava ver, com pessoas que não esperava encontrar, mas é isso que faz dos festivais de música uma experiência prazeirosa. Há muito o que se ver em um festival com diversas bandas, cantores, cantoras, djs, ainda mais com brinquedos à disposição. Acredito que esse tipo de evento merece mais versões, mais edições. Merece ter mais!!!